Conheci a Flora três semanas atrás. Lembro que eu estava sentada, esperando pelo professor, quando ela entrou. Sem nenhum capricho, jogou a bolsa marrom numa cadeira e sentou na do lado. Eu,indiscreta e detalhista, reparei nos atos desengonçados da moça.
Além de desajeitada, a Flora é extrovertida. Antes do início do aula, ela aproximou-se de mim e foi logo se apresentando: “Oi, sou a Flora Zahra!”. Eu soube ali, olhando aquele sorriso simpático e reparando no brilho dos olhos grandes e pretos, que seríamos grandes amigas. “Prazer, sou a Menina do Balaio. Mas pode me chamar de Menina.”
Conversamos depois da aula, trocamos telefones, e-mails e combinamos de tomar um café juntas pra conversamos sobre o próximo seminário. Nos encontramos na livraria, no dia e no horário combinado. Não estudamos. Ficamos mais de três horas fofocando – ela me contou sobre seus problemas pessoais, sobre sua família, sobre seus namoros mal sucedidos e confessou ter desistido do amor.
“Mas o amor não é algo de que se desista”, pensei. Então, como toda boa amiga resolvi ajuda-la. Criei um projeto, montei planilhas e bolei estratégias. Acionei todos os meus amigos, familiares, vizinhos, porteiros e os ambulantes da rua. Estávamos todos unidos por um único objetivo: “PROCURAR UM NAMORADO PRA FLORA!”.
Comecei pela lista dos meus amigos solteiros. O Eduardo estava no topo dela – sempre foi o solteirão da turma, aquele nerd antissocial, um pouco magro e alto demais, usava óculos meio “fundo-de-garrafa” no tempo do colégio… Mas ele andou malhando e agora estava com lentes, digamos que ele ficou mais “jeitoso”.
- A Flora, Menina? Aquela que estava com você na livraria? – ele perguntou.
- Sim, a própria. Apresentei vocês, lembra?
- Lembro. Ah, mas ela tem o rosto meio assimétrico. Reparou como o olho direito é um pouco maior do que o esquerdo? A boca tem quase um formato de uma elipse achatada. Até que ela é bonita, mas não tem a razão áurea de proporcionalidade no corpo.
- Deixa de ser cruel, Eduardo! A Flora é linda e ainda tem qualidade não-enumeráveis.
- E você ainda insiste em apelar para o meu lado sentimental? Esqueceu que eu sou matemático?
- E matemáticos não tem sentimentos? Quem disse?! Deixa de ser um nerd-chato e solteirão. Vamos! Deixa eu marcar um encontro para vocês.
- CARAMBA! Já parou pra reparar que o nome “FLORA” é um anagrama de “FAROL”? Não, isso não é um bom sinal…
Aquele “caramba” dele me lembrou do “Eureka” do Arquimedes. Desliguei antes que ele começasse com as teorias infinitas. Ainda bem que não meti a minha amiga numa enrascada dessas… Imagina! Aguentar o Eduardo não é uma tarefa fácil.
Confesso que a Flora é exigente demais! Quando estávamos conversando sugeri o Gomes Braga, mas ela disse logo que não aguentaria pegar ônibus, metrô, trem e van para visita-lo. Mais um candidato descartado!
Apresentei para ela o Peregrino Viramundo. Deixei os dois conversando e saí para pegar um café. Sentei e peguei um livro para ler enquanto esperava por ela. Tomei um susto quando aquelas mãos geladas e brancas bateram no meu ombro.
- O que foi, amiga? Não gostou do Peregrino? – perguntei.
- Eu tava gostando, até que ele soltou uma cantada: “Oi. Você sabe quem sou?Sou o Imperador do mundo!”. Que pessoa mais infantil!
Não pude discordar. Ele era um pouco estranho mesmo.
A minha lista de opções estava acabando. Só haviam sobrado dois. Liguei primeiro pro Paulo Brandão, uma mulher atendeu: “Aqui é a esposa dele, gostaria de deixar recado?”. Tive que apelar pro golpe “marketing” usada pelas amantes: “Sou do jornal O Globo e gostaria de oferecer uma assinatura a preço de banana.” Ainda bem que ela não estava interessada e desligou na minha cara. “O Paulo casou e não me convidou. Que infeliz!”, pensei. Tentei ligar pro Victor Goes depois, mas só caia na secretária eletrônica.
Eu já estava desistindo quando meu telefone tocou. Era o Fernando. Sim, aquele mesmo, o Fernando Duarte Pazzini.
- Amor, nada! Eu já não disse que o que houve entre nós está acabado? Você é insistente demais, Fernando!
Ele veio me falar que estava carente, se sentindo sozinho, inútil, sem vontade de viver… Foi quando uma lampadazinha acendeu sobre minha cabeça.
- Fê, querido. Já sei como te ajudar. Vou te apresentar para uma amiga minha. Que tal um jantar amanhã? Você pode fechar aquele mesmo restaurante que a gente foi no Leblon. Te passo o nome, telefone e endereço dela por mensagem. Ela vai ficar te esperando. Não deixa de ligar, hein?
Ontem liguei pra Flora pra saber como tinha sido. Eu conseguia ouvir os barulhos dos coraçõezinhos saindo da voz dela.
- “Ai, amiga. Ele é romântico demais. Rico demais. Bonito demais. Perfeito demais… Estou apaixonada, obrigada.”
Problema resolvido! Eu consegui matar dois pombos com uma flechada (de cupido) só.
Menina do Balaio
Caramba…. eu vou sentir muuuuita falta disso! Ficou ótima sua crônica. Temos que dar nosso jeito.
Eu ri muito. Me descartou só porque eu sou suburbano! kkkkkk Brincadeirinha.
Engraçado como imaginamos o Eduardo mais ou menos do mesmo jeito.
Foi um prazer ler suas crônicas.
“mas ela disse logo que não aguentaria pegar ônibus, metrô, trem e van para visita-lo. Mais um candidato descartado!”
Pobre do Pazzini.
Gomes Braga
Comentário por cronicadasemana — junho 30, 2011 @ 9:01 pm |
CARAMBA! Fato inédito na história dessa oficina: nenhuma crítica? uma repetição? algo que você não entendeu, Gomes Braga? Hehehe
Brincadeira!
Sério, eu também vou sentir MUITA falta. Eu tô amando! Essa brincadeirinha dos pseudônimo tá demais.
Vamos pedir pro Felipe Pena prosseguir mais umas semanas (ou meses) com a gente?
Menina do Balaio
Comentário por Anônimo — junho 30, 2011 @ 9:15 pm |
kkkkkk eu fui muito chato, né? Mas nesta não tenho mesmo nada a dizer, além de que está muito
Comentário por cronicadasemana — junho 30, 2011 @ 11:46 pm
boa.
Comentário por cronicadasemana — junho 30, 2011 @ 11:47 pm |
Menina do Balaio,
esta foi demais!… F.D.P. na história deu glória!
Parabéns! Coisa de profissional dos bons!
Comentário por Ia Tan — junho 30, 2011 @ 11:50 pm |
Obrigada, Querida!
Acho que esse clima de pseudo-despedida – já que vamos criar o CCSE: Clube dos Cronistas sem editora – está deixando todo mundo bonzinho! =]
Já tô com saudade! Minhas tardes de terça-feira nunca mais serão as mesmas!
Menina do Balaio
Comentário por Anônimo — julho 1, 2011 @ 1:18 am |
Caraca!!!!!! Amei a cronica. Ri muito. Ficou muito criativa. Gostei de vc usar outros pseudônimos, deu um charme a mais. Adorei o final. me dei super bem, olha que beleza! KKKK. Mas me fez meio muito carente, meio muito preconceituosa, meio muito sem noção, né?rsrsrsrs
Parabéns.
Bjos.
Comentário por Anônimo — julho 1, 2011 @ 12:31 am |
Ah, adorei a sacada do anagrama. E vc sabia que Zahra é flor em egpicio???
Bjos. Flora.
Comentário por Anônimo — julho 1, 2011 @ 12:33 am |
Foi inevitável, Flora! Desculpa. Na hora que o Felipe falou o que era pra ser feito lembrei do seu desespero apelando pro Santo Antônio.
hehehehehe
Menina do Balaio
Comentário por Anônimo — julho 1, 2011 @ 1:20 am |
Nossa, esse foi um mega perfil! Quase ninguém escapou dessa cronica! hehehe Muito bom! O Tonico Brasileiro é que acabou sobrando hehe Ele só quer saber da Susana Vieira.
Comentário por Anônimo — julho 2, 2011 @ 1:40 am |
Não dei meu nome: Peregrino Viramundo
Comentário por Peregrino Viramundo — julho 2, 2011 @ 2:04 am |
Pois é, Peregrino. Eu lembrei do Tonico mas já tinha passado do limite de caracteres. O texto é muito mais do que isso aí. Antes do Fernando aparecer, tínhamos ligado para os filhos da tia maluquinha da Laranjinha, depois apelamos para as metáforas da Sanfer e fizemos vários anúncios no jornal, tv, internet… hehehe
Queria falar de todo mundo, mas, infelizmente, não deu.
Menina do Balaio
Comentário por Anônimo — julho 2, 2011 @ 3:07 am
Poxa, Menina do Balaio, você me mata de rir, sempre. Só não ri mais porque lembrei que você se deixou levar pela oração da Sanfer e se esqueceu das outras amigas. Não é que eu esteja precisando assim, de um namorado, mas um bofe que nem o FDP não é todo dia que aparece. Você podia ter socializado ele ou … feito um leilão, uma rifa. Mas assim, de mão beijada. tudo pra Sanfer?!Bem que dizem que quem não chora não mama.! Tem outro aí, não? Bem que disseram lá que o seu nome vem daí: do seu balaio – cheio de gatos alfa macho que você descarta. Pensa em mim aí, ta, miga??
Beijos
laranjinha
Comentário por Anônimo — julho 2, 2011 @ 4:36 am |
Hahahahahahaah Eu que morri de rir com seu comentário, Laranjinha. Só um erro: Não foi a Sanfer, foi a Flora que levou o FDP. (se bem que a Sanfer, coitada, após ter brigado com o coração dela, também deve tá precisando de um, né?). Mas pode deixar , querida, o próximo gato alfa macho FDP que me aparecer eu mando direto pra você!
Menina do Balaio
Comentário por Anônimo — julho 2, 2011 @ 3:06 pm |
Olha, reforço a admiração declarada no meu último texto! Criativo e divertido o seu, Menina!
CCSE, CCSE, CCSE!!!rs…de quem foi a ideia do nome? Ja sei, foi dele neh? Grande BRAGA!rs…
Abraços,
Sanfer
Comentário por Anônimo — julho 3, 2011 @ 5:24 am |
Sanfer, queridA! (Sim, eu sei que você é uma mocinha!)
Senti falta do seu texto. O que te aconteceu? Tô ansiosa pro CCSE!
Vamos marcar logo nossa primeira reunião.
Menina do Balaio
Comentário por Anônimo — julho 3, 2011 @ 6:12 am |