Nascido em 1972, na cidade do Rio de Janeiro, Luis Sanferino da Silveira Neto, mais conhecido pelos seus fãs como Sanfer, nunca pensou que seria um escritor reconhecido. Ao ser demitido de seu emprego no McDonald, por ser pego comendo hamburguers no serviço, Sanfer se viu numa luta contra a sua obesidade, cada vez pior. Com 31 anos, pesava mais de 150 kg e não conseguia arranjar emprego. Acabou sendo obrigado a se mudar para o apartamento da irmã mais nova, Neide da Silveira Neto. Foi quando seu terapeuta, Felipe Pena, aconselhou que começasse a escrever como forma de evitar a ansiedade. Foi o início de uma promissora carreira. Seu terapeuta, surpreso com a qualidade dos contos, os levou para uma amiga editora, que quis logo falar com aquele novo talento. O resultado foi o primeiro livro: (in)voluntário e outros contos, sucesso de crítica e público. E nós tivemos o prazer de entrevistar essa revelação da nossa literatura! Veja como foi a seguir e não deixe de comentar.
Entrevistador: Sanfer, é verdade que você nunca pensou em escrever antes?
Sanfer: Ih, nunca! Quer dizer, eu escrevia até algumas palavras para mim. Como sempre, fui um garoto gordinho, por isso ficava meio difícil acompanhar, digamos… as brincadeiras mais agitadas dos colegas. Então, colocava palavras no papel, único exercício que eu fazia sem suar. Suava só o cérebro, no máximo. Nem isso. Mas não imaginava escrever como profissão.
E: Mas sempre gostou de ler?
S: Sempre, principalmente revista de culinária (risos).
E: Pode citar algum livro que te marcou?
S: Caio Fernando Abreu, o Sentimento do Mundo de Drummond, Nelson Rodrigues.
E: Carpinejar?
S: Capim o quê? (risos)
E: Muitos comparam o seu estilo com o dele.
S: Pois é. Mas juro para você, fui conhecer o Carpinejar só agora. É, acho que temos a ver sim, essa coisa da metáfora, né. Mas… não sei… Ele é muito bom. Gosto muito dele, o apreço que tem pelo inusitado do comum combina comigo.
E: E o amor é uma temática forte em sua literatura, você é um homem apaixonado?
S: Eu costumo dizer que meu coração não está entupido de colesterol, mas com paixão. (risos). Sou romântico sim, mas paro por aí. Imaginar é só o que eu posso, porque em prática mesmo a fêmea com quem eu tenho mais contato é a poodle lá de casa, Naná. Frequentemente eu me deparo com olhar desapontado de alguma fã quando apareço com minhas camisas feitas sob medida (melhor, sob escala). E nem adianta falar que eu perdi 50 quilos nesse mês. A pessoa olha e diz, sem emoção: To vendo…
E: Falando nisso, como vai a luta contra o peso?
S: Nem pergunte! Perdi 50, ganhei 60. Mas a culpa é das festas de lançamento do livro.
E: Não está sendo um livro diet.
S: Não está. (risos) Mas é bom. Eu me sino muito melhor agora. Mais bem comigo mesmo. Anos atrás eu faria de tudo para ser o funcionário do mês do McDonald e aparecer numa foto, dessas que ficam no altar de uma lanchonete, para todo mundo ver. Estou bem melhor agora, com certeza.
E: Agora, para terminar. Muita gente pensa que Sanfer é uma mulher, como você vê isso? Você acha que consegue captar os sentimentos femininos?
S: Isso é sério?! (risos) Nossa, agora eu entendo porque na livraria uma moça me disse: “Poxa, você escreveu esse livro grávida?! Meus parabéns! Eu não conseguiria nem sair da cama.” Na hora, encarei isso como um elogio estranho. Falei obrigado e que tinha escrito na cama mesmo. Não dei bola. Mas caramba… se eu capto sentimentos femininos… pergunta complicada. Faço outra: Será que existe o propriamente feminino? Para mim homem e mulher só não se entendem porque não querem. Muito do que escrevo é inspirado pela minha irmã. Ela às vezes chega chorando, quando eu estou montando um sanduíche desses medidos em metros. Daí largo tudo, pego o meu bloco de notas que sei que vai vir coisa boa. Vai ver essa é a fonte do feminino (risos) Mas a verdade é que homens e mulheres sentem a mesma coisa, só não admitem.
Por Peregrino Viramundo
Rsrsrsrs, eu também acho sanfer mulher…
Adorei, leve, gostoso e com a cara de Sanfer. Ou não. Kkkk.
Abs, Flora.
Comentário por Anônimo — julho 1, 2011 @ 6:59 pm |
Que legal esse texto, Peregrino! hahaha
Eu também acho que é A Sanfer. Será que vou quebrar a cara? Aiaiai
“Perdi 50, ganhei 60. Mas a culpa é das festas de lançamento do livro.” Muito bom!!!! Ri muito.
Achei demais: “Mas a verdade é que homens e mulheres sentem a mesma coisa, só não admitem.”
Parabéns,
Menina do Balaio
Comentário por Anônimo — julho 2, 2011 @ 12:33 am |
Peregrino … Adorei e nem sei de qual tirada gosto mais. “minhas camisetas feitas sob medidas (melhor, sob escalas)” é o cúmulo do bullying autoimposto. he he …
Quer dizer que você comprova que Sanfer é homem, ne? E pegou “o produto rejeitado” da Menina do Balaio, o F.D.P.? Isso precisa ser bem esclarecido! Seria Sanfer um agente infiltrado e bífido (ver incunábulo do Eduardo)? E você também, envolvido nessa falcatrua Vira? Até tu, Brutus? O Felipe tá provocando! Tem muita gente á beira e um ataque de nervos com essa confusão que ele criou. Eu que era uma pessoinha sã- a única da família! comecei a ter crises de identidade. Nem sei mais oncotô nem proncovô! E aminha crônica sumiu do site …
Comentário por Anônimo — julho 2, 2011 @ 5:26 am |
viu,aí até esqueci meu nome, ah! laranjinha
Comentário por Anônimo — julho 2, 2011 @ 5:30 am |
Genial usar a entrevista para falar do Sanfer, pois que Sanfer é homem. hehehe
Parabéns pela crônica.
abs
Comentário por Gomes Braga — julho 2, 2011 @ 10:39 am |
Gde sacada ,Viramundo!
Parabéns pelo bom humor
Tonico Brasileiro
Comentário por Tonico Brasileiro — julho 3, 2011 @ 2:18 am |
Ahhh…vocês me matam de rir!!! Nem acredito que fui personagem de uma das crônicas, ainda mais do Peregrino com todos aqueles papos científicos, futurísticos…rs…muito bom! Criatividade pura, caro Peregrino!
Só fiquei com medo agora né?! Vai que resolvo escrever e lançar um livro e essa coisa de engordar 150kg vira realidade! Deus me livre!!!
Vocês ainda têm dúvida se sou ele ou ela????rsrsrs….até terça pessoal!
Abraços,
Sanfer.
Comentário por Anônimo — julho 3, 2011 @ 3:59 am |
Pois é Peregrino,
Seu texto é criativo e divertidíssimo. Particularmente, não gosto dos diaólogos em entrevista. Acho cansativo e esbarra no ritmo do texto, como se estivesse partido mesmo. Em Literatura, acho q até funciona com textos mais extensos, mas em textos curtos, como uma crônica, isso realmente me incomoda. No entanto, o que seria do laranja se todos gostassem do vermelho, não é mesmo? Parabéns! Até terça.
(Paulo)
Comentário por Anônimo — julho 3, 2011 @ 2:04 pm |