Oficina da Crônica

julho 4, 2011

Sim, ela!

Filed under: 2011.01 Junho — literarea @ 1:34 pm

Foi uma missão difícil. Tanto que numa semana tão cheia de atividades e burocracias, a tal missão quase se deu impossível pra mim. Mas Felipe lançou o desafio e eu tinha de aceita-lo: escolher um dos autores da oficina e criar para este uma crônica perfil.
Mas como? E quem? Foram tantas as descobertas nestas últimas semanas e parecia ainda haver tanto para se conhecer que de quem eu poderia traçar um perfil?Não tive mais sossego.
Pensei em falar do tom criativo e ousado das palavras de Tonico Brasileiro ou das confusões e confissões matemáticas de Eduardo. Também me lembrei da veia poética, política e ao mesmo tempo cômica de Paulo Brandão e da linha futurística e inventiva do Peregrino. Mas nada parecia me empolgar.
Me recordei do Fever que eu suspeito ter pego a mesma estradinha de terra de sua personagem, pois aqui não voltara mais. Tive vontade de falar da Flora, sobre suacoragem e descontração ao abordar iniciativa e quereres num relacionamento, mas daí cogitei também sobre a Laranjinha e toda sua escrita transparente e descritiva, irônica, eu diria. Era tanta boa opção que eu não conseguia definir.
Achei que seria uma boa sacada abordar o perfil enigmático de Victor Góes, com todos os seus peixes e flores nas entrelinhas. Mas não parava de pensar que também seria legal tratar do estilo observador e inusitado de Gomes Braga,de suas excêntricas caneladas e troféus. Ou da intensidade e expressividade da Ia Tan que quase denunciou o amigo. E olha que ainda tinha o tom reflexivo e transportador da Hortênsia.
Foi aí que percebi que desde o início, me chamou a atenção a tal da menina. Desconfio que ela não imaginara que a oficina viraria uma verdadeira caça ao tesouro quando escolheu este pseudônimo, porque eu – não sei dizer ainda como – descobri de primeira quem era ela. Sua voz se traduzia nas palavras de seu primeiro texto. Então estava pronto, estava decidido. Sim, ela! Era dela o perfil que eu deveria traçar. Era de sua linguagem original e descontraída.
Devo confessar que seu primeiro texto não me atraiu muito. Embora aquele dilema entre calorias e exercícios estivesse bem próximo do meu novo universo. Mas foi então que ela me apareceu com um tal de Fernando Duarte Pazzini, vulgo F.D.P, surpreendendo a todos pela sua criatividade e desenvoltura. As contradições entre querer e não poder de seu primeiro texto deramlugar a crítica debochada sobre um coração, que digamos, era apaixonado demais. E foi mesmo, demais! Vi nela atitude, um quê de menina prolixa.
Em uma de suas respostas aos comentários deste segundo escrito, ela disse que nessas semanas de oficina e interação, identificara grande melhora em suas criações. Eu acho que é puro charme. Esse talento certamente já estava aí. Pronto pra se revelar e nos causar surpresa e admiração. Suspeito até que seus próximos passos anunciarão novidades, coisa nova nas prateleiras, nas cabeceiras. Espontânea e cheia de ritmo. Do balaio essa menina!

Sanfer.

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