Oficina da Crônica

novembro 28, 2014

ENCONTRO MARCADO

Filed under: 2014.02 Novembro — literarea @ 2:57 pm

São nove da manhã, acabei de acordar e já tenho que sair. Estou atrasada para o trabalho, tenho compromissos. Preciso beber um café, pois estou sem comer desde ontem. Vou tomar um banho, o chuveiro está muito frio. Desligo e vou me vestir. Secar o cabelo e colocar o vestido. Calçar o sapato e pegar a bolsa. Passar um batom e me despedir do gato. Pronto! Posso sair. Chamo o elevador, mas ele não vem. Desço de escada.

Entrei no carro e me lembrei dos convites. Voltei para pegar. Onde eles estão?Abro as gavetas, tiro os livros da estante, as revistas do sofá. Procuro mais um pouco. Achei. Abri a porta e saí. Fui direto pela escada. Entrei no carro e parti em direção ao caminho mais curto. Os minutos seguem. Cheguei no escritório, liguei o computador, ouvi os recados, pedi os relatórios, escrevi observações e enviei para o outro departamento analisar. O telefone tocou, eu atendi e resolvemos as pendências do dia anterior, sem muitas perguntas, apenas considerações. A hora do almoço chegou, convidei os amigos para irem ao novo restaurante da esquina. Pedi o cardápio e experimentei o melhor prato da casa. Tomei um café e voltei para minha mesa.

A reunião começou, discutimos e fechamos um contrato. Apontamos alguns caminhos, questionamos saídas. Resolvemos problemas, colocamos soluções. Acabaram-se os assuntos, voltei à minha sala. Telefone tocou novamente. Não atendi. Concluí um relatório. A caixa de emails estava cheia, enviei a mensagem do contrato,  aguardei o retorno. Aceito. Li novamente e reencaminhei para diretoria.

Peguei minha bolsa, fui ao banheiro, penteei o cabelo, retoquei a maquiagem. Nao esqueci o perfume. Voltei à sala, todos zombaram do meu visual. Desliguei o computador, acionei a secretaria eletrônica. Encostei a cadeira na mesa, arrumei uns papeis, troquei livros de lugar e parti. Esperei o elevador. Entrei, cumprimentei um amigo e desci.

Cheguei na portaria, olhei para os lados, na direção indicada. Ele me viu e veio ao meu encontro. Ganhei um beijo, algumas flores e o braço. Entramos no carro,  liguei o rádio, escolhi a estação e falamos em paralelo sobre os acontecimentos do dia. Passamos pela orla e viramos na rua principal. Muito movimento, carros indo na mesma direção.

Chegamos ao nosso destino: o teatro. A sala cheia, cortinas arreadas. Luz acessa. Naquela noite, eu iria rever aqueles que um dia fizeram parte do meu grande sonho: ser atriz. Eles estavam à minha espera. O encontro foi emocionante! Nunca imaginei que sentiria tão forte sensação. Mesmo tendo largado tudo, ainda tenho um vínculo com aquele mundo mágico, com as pessoas, roupas, luzes, efeitos… Chorei e sorri.

Durante todos esses anos relutei por este encontro, tinha medo da minha reação, pois não conseguiria voltar atrás. Porém, percebi que a vida nos guarda muitas surpresas e ali tive a certeza de que fiz a escolha certa. A peça acabou. As cortinas desceram. Voltei para casa, troquei de roupa. Deitei na cama, olhei para o teto e agradeci. Dormi sentindo a alma mais leve. Marquei um encontro com o meu próprio destino e consegui que ele fosse inesquecível. Sonhei com esta noite.

Nina Estrella

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4 Comentários »

  1. Nina, gostei do ritmo do seu texto, que nos leva a perceber o frenesi do dia dessa mulher. Mas vc passa muito tempo descrevendo as situações, o que ela faz, onde vai e tal, e esquece de descrever suas emoções. Se tudo que ela faz no dia é na expectativa desse reencontro mágico à noite, isso tem que transparecer nela ao longo do dia, assim o leitor vai se envolvendo na história dessa mulher até o auge da emoção, no final, no grande “espetáculo” do teatro. Senão fica muito descritivo e pouco narrativo. Também acho que você precisa decidir se usa os verbos no tempo presente ou no tempo passado, isso ajuda no fluxo da leitura.

    Comentário por João Kruger — novembro 28, 2014 @ 9:47 pm | Responder

  2. Estrella , sugeriria enxugar um pouco o texto .
    Mostrar mais a ansiedade , especular mais os sentimentos pré-encontro com o teatro .
    No face a face com o palco ao abrir a cortina mostrar as fendas , as alegrias , a saudade , o que viveu seu personagem quando atuava .
    Pode ser visceral , intenso ou delicado , sutil , mas tem que fazer o leitor ter essas sensações também .
    Adorei a ideia , sensacional .
    Digo pois eu já vivi essa sensação e me vi numa situação bem parecida .
    Adorei e me fez viajar no meu mundo interior.
    Espero que tenha te ajudado e não se ofenda com meu comentário .
    Jogue-se de alma no texto , mas lapide-o .
    Parabéns !
    Feliz Natal e um 2015 incrível pra você e sua família.
    Um forte abraço do Afonso ( amigo do Tono do Ave ) e do Tono do Ave , esteja onde estiver .

    Comentário por Anônimo — novembro 30, 2014 @ 3:05 pm | Responder

  3. Gostei da temática de sua crônica, Helena. Quanto ao seu desenvolvimento, concordo com os comentários do João e do Afonso. A meu ver, você não deveria guardar toda a emoção para o final, mas, ao invés disso, dividi-la com o leitor ao longo do primeiros parágrafos. Penso, também, que sem uma descrição tão longa e detalhada de sua rotina o seu texto vai ficar muito mais interessante. Um grande abraço.

    Adriel

    Comentário por Adriel Romanno — dezembro 1, 2014 @ 1:56 am | Responder

  4. Gostei do ritmo vertiginoso, bem trabalhado, da rotina dela, mas concordo que a descrição poderia ser um pouco reduzida. Também concordo com os comentários anteriores de que, desde o começo, aquela expectativa pelo que vinha poderia transparecer um pouco mais.

    Comentário por Pietro Tortona — dezembro 1, 2014 @ 12:36 pm | Responder


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